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Onde havia paz e alegria, aí estava Deus
Pe. Klaus Einsle, L.C.

Nasci em um pequeno povoado de artesãos e agricultores na Baviera, ao sul da Alemanha, uma região com uma grande beleza natural. Entre pradarias verdes, montanhas majestosas, colinas suaves, bosques frondosos e animais de todos os tipos.
 

A família de um agricultor

Cresci, junto com meus quatro irmãos, em um ambiente familiar simples. Missa e uma breve oração pela noite dirigida por minha mãe; o rosário toda tarde durante o mês de outubro, mês do rosário. Tudo isto era algo normal, tradicional. Vivia a maior parte do dia entre a natureza; jogava futebol com meus amigos, comia maças, ciruelas e cerejas nos intervalos do jogo, sentado sob as árvores. No inverno ia esquiar todos os dias. Tínhamos a estação de esqui no mesmo povoado e aos três anos já tinha meus primeiros esquis. Desde então não havia um dia de inverno no qual não fossemos a pista...Sempre com um grupo de amigos, porque ir sozinho era muito chato. Pela noite chegávamos na casa e sentávamos perto do forno de madeira, chorando porque nossos dedos doíam de frio. Mas em cinco minutos a dor desaparecia e no dia seguinte...de novo íamos esquiar.

Essa era minha vida: esporte, amigos e colégio. Com 8 anos comecei a tocar meu primeiro instrumento. Queria aprender o trombone, mas minhas mãos não o manejavam bem. Eram muito pequenas. Então aprendi o corno francês. Desde então a música se transformou em uma grande paixão em minha vida. Música, esporte, amigos e em um lugar de pouco destaque, mas presente, Deus.

 

A paixão pela música

Meu professor de música achava que eu tinha um talento musical e entre as experiências com a banda do povoado e as aulas surge a idéia: por que não fazer uma carreira de música? Dito e feito: com 15 anos recebi minhas primeiras aulas de trombone no conservatório de Brigancia (Bregenz), Áustria, conhecido por sua atividade musical no cenário teatral do lago de Constanza. Era verdadeiramente uma paixão e me abriu um mundo novo. Programas de intercâmbio com estudantes dos Estados Unidos, França, Liechtenstein; viagens para Dinamarca, Hamburgo, Frankfurt, Munique, Viena, Praga...

Durante este tempo também despertou em mim o amor por uma menina. Era do meu povoado. Um tempo feliz, uma experiência nova: viver para outra pessoa, pensar como fazer o outro feliz, etc. Não querer somente receber, mas também dar. Tinha uns 17 anos.

O primeiro grande sinal de Deus: o serviço militar

Posteriormente chegou o momento de entrar para o serviço militar. Tive a sorte de entrar em uma das poucas bandas musicais do exercito alemão, a Garmisch-Partenkirchen. Dentro da banda, de aproximadamente 70 membros, havia 8 ou 10 especiais. Falavam da Bíblia e discutiam com os demais sobre a fé, a Igreja. Interessei-me por essas discussões, comprei uma Bíblia e comecei a lê-la e perguntar. Marco, um membro desse grupo, me disse: Olha, Klaus, não sei o que dizer-te; mas tenho um amigo que estuda Teologia e que pode responder-lhe melhor que eu. Este amigo se chamava Ricardo. Fomos conhecê-lo e fiquei impressionado. Sentia que sua amizade era sincera e desinteressada. Não queria me convencer. Queria ajudar-me! Se não sabia a respostas às minhas perguntas, simplesmente dizia que não sabia, mas que ia procurar.

Em várias ocasiões, antes de começar a falar, me convidava a rezar para pedir ajuda a Deus. Nunca antes havia rezado para pedir ao Espírito Santo sua luz nas discussões sobre a fé. Eu estava acostumado a só fazer acrobacias intelectuais; discussão vazia. Neste amigo encontrei o que sempre pensei que devia ser um cristão: uma pessoa feliz, séria, amável, alegre, com um coração grande. Conheci os amigos de Ricardo: eram como ele, abertos e alegres; crentes convencidos. Tinham algo que eu buscava. Sentia-me muito bem com eles.

Terminei o serviço militar e comecei a freqüentar mais as reuniões deste grupo. Todos os meses se reuniam para ter um dia de catequeses, oração e convivência. Onde havia paz, alegria; estava Deus entre estes cristãos. Aprendemos muito sobre nossa fé católica.

A Virgem Maria, minha boa mãe

Convidaram-me para participar de uma peregrinação a um santuário mariano. Junto com minha namorada, sua irmã caçula e outros 130 jovens fizemos a viagem em três ônibus. Chegamos a um pequeno povoado perdido entre montanhas, colinas e pedras; respirava-se algo muito especial. Paz, paz, pura paz. Tudo muito pobre, quase não havia vegetação, algumas vacas que eram mais osso do que carne, algumas senhoras que cuidavam das cabras, casas antigas e pequenas...e a igreja. Lamentavelmente não posso narrar todas as experiências maravilhosas destes oito dias: a liturgia, as orações em sete ou oito idiomas, milhares de jovens, desde punks a piedosos crentes, desde católicos fervorosos a não-batizados e muita paz!

Chegou a última noite. Eu e mais trinta jovens decidimos subir em uma montanha próxima e ficar lá em cima durante toda a noite, cantando, conversando, rezandoPouco a pouco todos foram dormindo. Eu não podia dormir. Fiquei sentado lá em cima, contemplando...Eram 4 horas da manhã e continuava sem poder dormir. Nos primeiros cantos do galo, uma luz se ascendeu lá embaixo, depois outra, e uma terceira, o primeiro raio de sol...um novo dia! Parou um pensamento em minha mente: Um novo dia. Um presente de Deus para ti. O que vais fazer com este dia? E o que fez forma de vasilha com os dias passados de tua vida? Cada dia, um presente de Deus. Comecei a calcular: tinha 20 anos, oito meses e 20 dias7.300 dias, cada dia um presente de Deus para mim. E o que eu tinha feito nestes 7.300 dias? Juntei minhas duas mãos em como se quisesse mostrar a Deus tudo o que havia feito, mas senti uma grande tristeza, e me dei conta de que até esse momento tudo o que havia feito era só pensado em mim.

Arrancar o amor do coração

Visitei por diversas vezes este santuário. Estas experiências e o contato com o grupo de jovens tinham mudado minha vida. Comecei a rezar, ir a Missa todos os dias; mas minha namorada tinha outros interesses. Nós nos queríamos muito, mas pouco a pouco fomos dando conta que nossos caminhos estavam se afastando. Tínhamos que nos separar. Que duro! Senti uma grande dor e uma grande paz. Dor por romper uma amizade tão longa e bela; paz, porque finalmente era livre para realizar um impulso que percebia em meu interior: ser todo para Deus, ser sacerdote.

Em um retiro conheci um sacerdote irlandês que falava de Cristo como nunca antes tinha ouvido. Parecia que conhecia pessoalmente Jesus. Foi muito forte o modo que ele nos falou Dele! Depois de um bate-papo, me perguntou: E tu, queres ser sacerdote?. Eu disse que sim. Este foi o modo no qual conheci o Pe. Eamon Kelly, legionário de Cristo.

 

Encontrar a felicidade seguindo a Cristo

Convidou-me a conhecer melhor a Legião de Cristo. Por que não vais para a Itália durante alguns dias, perto de Nápoles, onde podes passar tuas férias e conviver com eles? Gostei da idéia: 10 dias, mar, sol, além de conhecer estes seminaristas. Foi uma das semanas mais belas da minha vida. Havia cerca de 100 religiosos nessa casa. Todos jovens. Depois de uma noite de pouco sono, no dia seguinte fomos ao mar. Cem jovens desfrutando da água, risos, mergulhos, sol, alegria, jogos...Que dia mais maravilhoso. Foram uns dias inesquecíveis.

Um ano depois, visitei novamente a Itália, com outro grupo católico. Visitei novamente os legionários, pois queria saudar alguns conhecidos. Tinham acabado de construir uma nova casa porque a casa antiga já não os comportava mais. Mostraram-me o novo centro: capela, computadores, biblioteca, campos de esportes, quartos. Ao final do dia fomos à capela para rezar o rosário com a comunidade: uma capela cheia com quase 300 jovens que se preparavam com entusiasmo à vida sacerdotal. Terminou o rosário, todos se foram e, nesse momento percebi uma força interior que me fez ver com toda clareza que meu caminho era ser sacerdote legionário. Era algo que nunca havia sentido antes. Mas pude sentir. Não podia me enganar. Via claramente.

Bingo!

De volta a Alemanha falei com o Pe. Eamon para ingressar no noviciado. Mudei-me para os Estados Unidos para fazer o candidatado, dois meses de preparação para começar minha vida na Legião. Vivia junto com 60 companheiros que igualmente queriam ser sacerdotes. Outra vez senti a alegria e a serenidade que se tem quando se vive perto de Cristo. Não me restou nenhuma dúvida, isto é: bingo!

Não é fácil descrever em algumas linhas a plenitude que se pode encontrar no seguimento de Cristo. Somente posso dizer, por experiência própria, que é verdade o que Cristo prometeu a Pedro quando este lhe perguntou que recompensa receberiam os que lhe seguissem: E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou bens em meu nome, receberá e herdará a vida eterna (Mt 19, 29).

O Pe. Klaus Einsle é de Grünenbach, Baviera (Alemanha). Depois de estudar música, ingressou na Legião de Cristo em julho de 1992. Estudou ciências humanas clássicas em Salamanca, Espanha. É licenciado em Filosofia e tem o título de Teologia pelo Ateneo Pontifício Regina Apostolorum de Roma. Foi ordenado sacerdote no dia 2 de janeiro de 2001. Atualmente realiza seu apostolado com grupos de adolescentes e jovens na Alemanha.

                                                                                                                                                                                                       
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